No âmbito das comemorações do cinquentenário da revolução dos cravos, tiveram lugar, na Escola Básica e Secundária Domingos, em Silvalde, diversas atividades alusivas a essa importante efeméride, com o intuito de trazer à memória factos e personalidades que mudaram o rumo de Portugal no último meio século.
Por iniciativa da equipa da Biblioteca Escolar, promoveu-se, entre 22 e 24 de abril, uma abordagem eclética da revolução de Abril, mediante a dinamização de palestras, momentos musicais e teatrais, bem como do concurso de expressão plástica “Nas tuas mãos, o símbolo da liberdade”.
Dando testemunho da sua vivência dessa época tão importante para a nossa história coletiva, o Coronel Jorge Carvalho transmitiu aos alunos do 9º ano a sua visão desses acontecimentos, partindo de uma detalhada contextualização da revolução. Tal como referiu na sua intervenção, “a liberdade não é uma valor adquirido”, pelo que é fundamental preservar a memória do que foram os tempos da ditadura e ter consciência da importância do golpe militar realizado pelo Movimento das Forças Armadas (M.F.A.) para a instauração de um regime democrático em Portugal, mudança que abriu caminho para a libertação de um país que viveu vergado, décadas a fio, a um regime autoritário e opressivo ,cujos pilares foram a guerra colonial, a repressão, a censura e a instauração de um clima de medo, fomentado pela PIDE.
A turma do 7ºA, por seu turno, realizou, no dia 23 de abril, uma dramatização da obra “O Tesouro”, do escritor Manel António Pina. De uma forma criativa e cativante, os alunos entusiasmaram a assistência com a qualidade do trabalho que apresentaram, captando a atenção dos alunos do 5º e do 6º ano que presenciaram este momento de expressão dramática. teatral. Combinando a simplicidade e a naturalidade da representação com uma reconhecida graciosidade, os debutantes “atores” transmitiram da melhor forma a mensagem implícita no livro: a de que a liberdade é algo precioso, um verdadeiro tesouro, sem o qual não é, de facto, possível viver. Igualmente impressiva foi a atuação dos alunos do 3º e do 4ª ano do Centro de Escolar de Silvalde que fizeram a abertura deste momento teatral, interpretando de forma magistral o tema de Zeca Afonso, “Grândola, Vila Morena”, uma das senhas da revolução.
A música de intervenção não poderia faltar nesta agenda comemorativa, pelo que o convite foi feito ao grupo Baladas Nostalgia, cujo reportório se centra, em boa medida, na interpretação dos designados cantores de Abril, como é o caso de Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco, entre outros. Nesse contexto, os alunos do 9º ano acompanharam, na manhã do dia 24 de abril, um verdadeiro desfilar de canções que atravessam gerações, as quais, pela sua intemporalidade, não podem, de forma alguma, remeter-se ao esquecimento. Temas como Canção da emigração, Balada de Outono, Canção de Embalar, E Alegre se Fez Triste, verdadeiros hinos da resistência ao regime salazarista, foram escutados atentamente por uma plateia que se rendeu à atuação do grupo convidado. Pouco antes deste pequeno concerto, os alunos do 6º assistiram a uma conferência do Coronel Jorge Carvalho e do Jurista Militar, Serafim Carvalho, a qual permitiu um diálogo muito participado e esclarecedor entre todos.
Recorrendo a diversas formas de comunicação (apresentações orais, música e teatro), de indiscutível potencial pedagógico, a equipa da Biblioteca Escolar procurou, assim, contribuir para uma evocação apelativa da revolução de Abril. Com esse propósito, foi vincada a ideia de que a liberdade é um valor que não pode, em momento algum, ser banalizado ou esquecido, sendo essencial, em cada dia, em cada gesto, em cada afirmação, em cada lugar, que todos cuidem desse bem tão precioso e o saibam estimar, sob pena de, no futuro, podermos regressar a um tempo sombrio e tenebroso. A eventualidade desse indesejado regresso ao passado inviabilizaria a possibilidade de saborearmos a doçura e a beleza das palavras cristalinas de Sophia de Mello Breyner, imortalizadas no poema “25 de Abril”:
“!Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.”
Escola Secundária DR. Manuel Gomes de Almeida, Espinho, Portugal
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