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Inteligência artificial, ChatGPT e Ensino Superior

O artigo de opinião deste mês do Reitor da Universidade de Aveiro, Paulo Jorge Ferreira, no Jornal de Notícias centra-se na utilização da inteligência artificial e da ferramenta ChatGPT no ensino superior. Na opinião do Reitor "a inclusão criteriosa de ferramentas como o ChatGPT nas instituições de Ensino Superior permitirá compreender melhor as suas potencialidades e limitações, e contribuir para adequar as práticas de trabalho à realidade do século XXI".


O ChatGPT é uma ferramenta desenvolvida pela OpenAI para diálogo interativo, através da escrita, com um utilizador. O ChatGPT é capaz de responder a questões complexas, produzindo um texto aparentemente coerente, e até discutir cenários e avançar com previsões.
O seu lançamento suscitou um enorme interesse. Em apenas dois meses, atingiu mais de 100 milhões de utilizadores, batendo todos os recordes de crescimento estabelecidos antes por plataformas como o TikTok, Instagram e Facebook.
Os modelos de linguagem natural não são novidade, mas o seu desenvolvimento, treino e disponibilização pela OpenAI estimulou a utilização em grande escala. Empresas como a Google, Microsoft, Baidu e Amazon anunciaram já produtos e serviços semelhantes, com base em tecnologia própria, ou através de parcerias com a OpenAI.
Há quem veja aqui oportunidades, mas há quem aponte os riscos: a falta de fiabilidade e consequente desinformação, questões éticas, ou as dificuldades na identificação das fontes, entre outras.
No caso das instituições de Ensino Superior, há duas escolhas possíveis: incluir as ferramentas de inteligência artificial generativa no seu dia a dia, ou ignorá-las. Há instituições que já optaram por banir o ChatGPT e investir na sua deteção.
Estas ferramentas serão cada vez mais usadas em trabalho e lazer. Versões mais poderosas e capazes de gerar e combinar texto, imagem e gráficos foram já anunciadas, e têm potencial para transformar a forma como aprendemos, ensinamos e trabalhamos. Aprender a utilizar novos recursos de forma crítica, compreendendo as suas vantagens e limitações, não se consegue proibindo-os.
O aparecimento de calculadoras, computadores, corretores ortográficos e outras formas de escrita e tradução assistida também suscitou dúvidas legítimas. Mas a tecnologia de que duvidámos ontem é a que nos ajuda hoje, no nosso dia a dia.
A inclusão criteriosa de ferramentas como o ChatGPT nas instituições de Ensino Superior permitirá compreender melhor as suas potencialidades e limitações, e contribuir para adequar as práticas de trabalho à realidade do século XXI.
Vale a pena pensar nisso.
Paulo Jorge Ferreira, Reitor da Universidade de Aveiro
NOTA: Este e outros artigos de opinião, entrevistas, mensagens à comunidade, discursos e intervenções de Paulo Jorge Ferreira, Reitor da Universidade de Aveiro, podem ser consultados na página do Reitor.
https://www.ua.pt/pt/noticias/13/80134?fbclid=IwAR14_iOl3-k9fuyOdoHQZvbZ6HHABbL-bdCmRDY_QOtQsY_IYUASKi7p6K0

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