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ENTREVISTA A UMA ALUNA NOTA20! Maria Inês Silva!

Por detrás de um bonito rosto, um sorriso encantador e um olhar profundo que fala mais do que as próprias palavras, encontramos uma futura promissora Artista Plástica.
O seu nome? Maria Inês Silva!
Aluna do 8º2ª sobressai pela atitude madura com que encara o estudo, as aulas e até como dirige os próprios colegas.
Os seus desenhos não passaram despercebidos ao NOTA 20, pela forma como, na sua mão, o lápis flui e o “pensar” está sempre presente na realização de qualquer trabalho gráfico, mostrando que o desenho não é apenas algo mecânico, mas sim “uma coisa mental!” como referia o grande Mestre renascentista Leonardo Da Vinci.
Mais curioso ainda será o facto desta aluna ser apaixonada pela arte da Tatuagem dedicando horas na criação de desenhos especificamente pensados para terem como suporte não o comum papel ou tela, mas... a pele.
O Nota20 convidou-a a dar uma entrevista para melhor a conhecermos e dar conta de alguns dos seus trabalhos.

NOTA20 - Desenhar para ti é ...?
MI – Desenhar é apenas deixar tudo o que nos vêm á cabeça passar para o papel, obviamente isto é algo diferente de pessoa para pessoa, pois pessoas libertam se no desporto, ou em outro tipo de atividades, mas penso que desenhar é uma forma de me expressar sem precisar de palavras e sem ser preciso sempre ser entendida da mesma forma.

NOTA20 - Como surgiu o teu gosto pelo desenho?
MI – Desde pequena, não só o desenho, como todas a formas de arte, sempre estive extremamente ligada à arte e felizmente próxima, pois ambos os meus pais são designers gráficos. Com isso, sinto que a arte sempre fez parte da minha vida tal como o desenho.

NOTA20 – O que gostas mais de desenhar?
MI – Eu adoro desenhar de tudo, desde expressões humanas, carros, figuras humanoides/míticas, animais, e muito mais. Mas provavelmente, o que me sinto melhor a desenhar são elementos da natureza, como animais, flores, ossadas, etc… Ao mesmo tempo adoro desenhar e fazer a planificação de tatuagens, especialmente do género tribal, ou cyber tribal.

NOTA20 - Qual a importância que a disciplina de Educação Visual tem tido na tua formação?
MI – Sinto que a disciplina me pode ter ajudado, que o contexto de “arte” é muito mais abrangente do que apenas é falado, tudo no mundo é arte, tudo o que usamos no nosso dia a dia, o que vestimos, o que lemos, o que vemos, simplesmente tudo.

NOTA20 – Quando desenhas quais as técnicas e materiais com que mais te identificas?
MI - Os materiais que mais me identifico, depende do que estou a desenhar, mas penso que sejam as aguarelas, o grafite, e caneta bic.

NOTA20 – Soubemos que adoras criar Tatuagens. Como surgiu esse gosto?
MI – Desde sempre fiquei fascinada sobre os “desenhos na pele”, adorava perguntar às pessoas as histórias por de trás de cada tattoo, quando foi feita, e por que não antes, ou depois. Depois, além disso, tinha o meu pai, com um tattoo tribal no centro das costas, adorava ficar a olhar para os traços fluídos que se intersetavam de forma tão natural e desorganizada ao mesmo tempo, parecia algo tão descontraído, mas que cada linha devia ter sido pensada tão meticulosamente.

NOTA20 – Sendo esta uma das expressões artísticas mais antigas da humanidade que cada vez cativa mais pessoas, diz-nos o que te agrada neste tipo de Arte?
MI – Penso que mesmo com as evoluções e passagens das coisas, algumas devem ficar, e acho que as tatuagens são um bom exemplo disso, pois se é um dos tipos de artes mais antigas pode querer dizer muita coisa. Além de nos apercebermos que as tatuagens sempre foram algo para que as pessoas se expressassem, também foram e, atualmente, ás vezes, ainda são a forma de identificar diferentes culturas, hábitos e crenças.

NOTA20 – Quais são os temas que abordas nas tuas tatuagens?
MI – A maioria das tatuagens que desenho começam apenas com um traço, depois indo apenas fluindo com o que me vem á cabeça, outras vezes tento misturar discretamente elementos sem sentido, e outra vezes, mas mais raramente, tento desenhar figuras, mas com um traço tribal.

NOTA20 – Usas a cor? Ou só preto e branco? Composições monocromáticas?
MI - Normalmente uso mais preto e branco, mas gosto de tentar encaixar cores, especialmente vermelho, e tons mais frios ou escuros, como azul marinho, roxo, verde escuro, etc. Combinações de cores também é algo que gosto, mas isso ainda tenho treinado para melhorar e para serem cores que se complementam sempre, e também nas zonas onde ficam melhor.

NOTA20 – Alguém já fez uma tatuagem criada por ti?
MI – Atualmente ainda não, mas o meu pai diz que gostava que eu o tatuasse no futuro, caso siga carreira, e já ouvi várias vezes amigos e colegas a olharem para desenhos meus e a dizerem que tatuariam. Por isso espero que no futuro consiga dizer que sim a essa pergunta.

NOTA20 – Sendo o corpo humano uma tela viva isso influência de alguma forma as tuas criações?
MI – Eu acho que sim, pois quando desenhamos no papel, normalmente não pensamos se o papel vai gostar do que está a ser desenhado nele, se tem sentimentos, ou algumas histórias além da de ter sido fabricado e vendido. Enquanto isso, ao tatuar num corpo humano temos que ter tudo isso em conta, os sentimentos da pessoa, o por quê fazer determinada forma ou não a fazer, se a pessoa lidaria bem com aquele desenho permanente em si para sempre. Ao mesmo tempo que isto pode ser complicado e uma dificuldade para alguns, pode ser uma grande ajuda para as criações, saber se deve ser algo grande, pequeno, traços mais agressivos e marcantes, ou algo mais delicado e suave…

NOTA20 - Gostavas de dedicar o teu futuro a trabalhar nessa área?
MI – Para o meu futuro, sei apenas uma coisa, gostava de seguir artes, agora especificamente o quê, não tenho certezas de nada, mas se conseguisse gostava muito de conseguir seguir a área, não só de criar tatuagens como de as fazer.

NOTA20 – A nível das Artes Plásticas em geral, quais os Artistas Plásticos e obras com quem mais te identificas? Porquê?
MI – Os artistas plásticos que admiro não são tão do estilo das tatuagens, mas provavelmente um dos meus favoritos seria o Banksy, pois adoro como ele consegue conjugar graffiti e obras “simples” com um significado tão grande por de trás. Outro artista plástico, este português, que também admiro bastante, é o Bordalo II, adoro as combinações de cores que ele faz com o lixo, e como pode ter uma criatividade tão grande ao ponto de olhar para uns plásticos que eram apenas lixo do efeito da poluição e transforma-los em grandes esculturas. Considero que isso mostra que tudo tem uma segunda vida, “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” - Antoine Lavoisier. Mas penso que a artista que realmente mais admiro de todos os tempos é a Coco Chanel, adoro a forma que ela revolucionou a moda e a forma de como o fez.

NOTA20 – E tatuadores? Há nomes que possas destacar e nos dar a conhecer?
MI – Uma das coisas que mais tenho pena, é que nunca conheci presencialmente um tatuador na vida, gostaria muito de conhecer para poder falar de tudo, de dúvidas e muito mais. O único contacto que tenho com tatuadores, é raramente pesquisar e ver umas coisas na net, infelizmente nada de mais.

NOTA20 – Que área de estudos estás a pensar seguir?
MI – Penso seguir artes, mesmo adorando criminologia, sei que as artes são a minha paixão.

NOTA20 – Tens algum site onde possamos ver mais trabalhos teus?
MI – Tenho o meu Instagram onde coloco graffitis, mas nada dos desenhos de tattoos.

NOTA20 – Tens algum hobby?
MI – Tenho vários hobbys, a maioria relacionados com as artes e alguns mais desportivos. Os artísticos são especialmente cantar, fazer roupas e escrever, além do óbvio desenhar. Os desportos que pratico são andar de skate, escalar, fazer caminhadas no monte e, atualmente, treino boxe há uns anos, sempre adorei luta, e ao contrário do que se fala muitas vezes, luta como desporto não é algo agressivo.

NOTA20 – Soubemos que gostas de música. Tens alguma banda de música?
MI – Já estive em vários projetos de banda nos últimos dois anos, o primeiro em que estive, fui convidada por um amigo, e com isso éramos três membros, eu vocalista e baixista, quem me convidou seria guitarrista e segunda voz, e o baterista. Este projeto nunca mais andou para a frente pois houve algumas confusões, desde aí sempre fiquei eu e o tal baterista a ser convidados para projetos que não tiveram andamento, ou nós a tentar criar, mas nunca encontrávamos pessoas consistentes. Neste momento estamos a voltar a tentar, e temos um teclista, que parece bastante interessado, e andamos à procura de guitarrista, pois os que andamos a ter nestes últimos tempos, não foram consistentes, infelizmente.

NOTA20 – Estudas música?
MI – Já tive aulas, mas depois parei por opção, pois apercebi-me que me dava melhor a aprender autonomamente, tanto composição musical, como instrumentos, e etc.

NOTA20 – Que instrumento tocas? És vocalista? A tua banda tem nome?
MI - Eu toco guitarra, mas preferia tocar baixo, por isso toco músicas de baixo na guitarra até arranjar um baixo, eu sou vocalista, e adoro cantar. Atualmente, o nome da banda anda um pouco complicado, pois recentemente outra banda começou a usar o nome que usávamos e como no projeto as pessoas estão sempre a entrar e a sair, ainda não ficou nada fixo, mas nos últimos tempos temos conseguido orientar melhor as coisas.

NOTA20 – Para ti a arte e a música estão interligadas?
MI – Eu penso que a arte e a música estão interligadas, pois ambas são formas de se expressar, além disso muitos artistas apenas trabalham se estiverem a ouvir música, por isso também penso que a música possa ser como uma muleta para a existência de grande parte da arte, tal como a arte inspira muitas músicas.

NOTA20 – Para quando a tua estreia na música?
MI – Se este projeto de banda correr bem, TALVEZ nas férias apareça qualquer coisa, mas não confirmo nada, pois pode descambar como das outras vezes.

NOTA20 – Vais continuar na Escola Gomes de Almeida ou mudar para alguma Escola de Artes?
MI – No secundário irei para a Escola Soares dos Reis, para poder ter mais contacto com mais formas de arte e pessoas que a admirem.

NOTA20 – Se vais mudar, o que procuras noutra Escola?
MI – Procuro algo que deveria ter em todas as escolas, paz, não estou nem a falar de sossego, em termos de silêncio e assim, pois sei que isso é impossível em qualquer estabelecimento público, mas procuro um lugar onde não seja criticada apenas por estar confortável comigo própria, e penso que todos procuramos e mesmo, apenas ser aceites, e muitos mudam para “ficar dentro do padrão” assim não se chateando com criticas constantes e etc., mas não devia ser assim, o que alguém veste, ou os gostos das pessoas não fazem dela alguém melhor ou pior, e mesmo que eu não goste dos mesmos gostos não é motivo para deitar essa pessoa constantemente abaixo. Isso não irá fazer com que a pessoa mude de opinião, apenas irá magoar a pessoa. Por isso a única coisa que procuro noutra escola é paz, no sentido em que as pessoas se deem bem, não precisam de ser todos amigos e não precisam de estar constantemente a criticarem-se também.

NOTA20 – Queres deixar alguma mensagem para os leitores do jornal NOTA20?
MI – Primeiro, agradeço muito ter sido escolhida para este artigo, e segundo gostava que todos os leitores entendessem que arte é um contexto muito maior do que qualquer um de nós possa ou até consiga imaginar. Be yourself!

Ass:MIX

Muito obrigada pela tua participação no Jornal Escolar NOTA 20.

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Maria Inês Silva, 8º2ª e Professora Cristina Jorge
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